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Zebras na estrada
Balas a rasgar o concreto
E um Helicóptero nocturno,
Ao longo do escuro corredor

Escuta-se um burburim
Uma voz masculina, outra feminina
A fumar a noite já fria de Outono

Entram no comboio das onze
Sem qualquer ocasião especial para o justificar.
Houve um pedido para que fossem
E a viagem não era tão longa assim

Por fim, ao pisar os últimos degraus da escadaria, o rio.
Mais homens do que mulheres,
Que olhavam com estranheza sobre o ombro

Deram consigo numa ruela mal iluminada
E foi aí que a viram passar,
A senhora de passo apressado,
Carrinho de compras numa mão e guarda-chuva na outra

A escuridão vai dar a uma praça, coberta em nevoeiro
Preparam-se as amarras dos barcos junto ao molhe
Quando começa a chover

Está mesmo a chover
O ritmo apressa
E à frente dos seus olhos,
A senhora do guarda chuva vermelho

Seguem-na, no meio da neblina
Sem ver bem onde as pernas os levam
A cruzar passadeiras, ainda com o sinal vermelho acesso

E ao virar a esquina, ali está ela
Onde está a chuva?
Vêem-se ombros e uma nova personagem.
De quem se fará acompanhar?

Entra num prédio com pinta de anos 90
Toma o elevador e observam-no subir
Perdem-na no horizonte de uma cidade de legos .

texto inspirado em algumas imagens do Mira Mobile Prize

IMG_8259

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